quarta-feira, outubro 30

Meu atual sonho de consumo: os dois discos lançados pela Laura Cantrell, "Not the tremblin' kind" e "When the roses bloom again". Ah, também não iria me queixar se ela viesse como bônus junto com os cds (essa foi terrível, admito). Tomara que a partir de agora, com as eleições encerradas, o dólar caia para um patamar decente e facilite a minha vida.

How can you tell me how much you miss me?
When the last time I saw you, you wouldn't even kiss me
That rich girl you've been seein'
Must have put you down
So welcome back baby
To the poor side of town


To her you were nothin' but a little plaything
Not much more than an overnight fling
But to me you were the greatest thing I've ever found
It's hard to find good men
On the poor side of town


I don't really blame you
I'm tryin' to make it too
I've got one little hang up darling
Can't make it without you


So tell me now darling, are you gonna stay now?
Will you let me stand by you all the way now?
With me by your side
They can't keep us down
Together we can make it baby
On the poor side of town

segunda-feira, outubro 28

Fui cumprir o meu dever cívico e, no caminho até a seção eleitoral, fiquei bobo com as voltas que o mundo dá. Nas ruas havia uma quantidade enorme de crianças com camisas, broches, bandeiras e adesivos com a estrela vermelha do PT. De comunista devorador de criancinhas, o Lulinha paz e amor virou ídolo infantil.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre quem realmente manda neste país. Após o rápido pronunciamento em que prometeu falar com toda a imprensa na coletiva de hoje à tarde, Lula cedeu à pressão global e deu uma entrevista exclusiva durante o Fantástico.

Globo, aliás, que já alterou sua programação em virtude da nova realidade política. Hoje, a atração da Tela Quente será o filme 'A classe operária vai ao paraíso'.

Pelamordedeus, chega de falar em "festa da democracia". Ninguém aguenta mais ouvir esse clichê.

Também votei no Lula, mas seria bom que todo mundo ficasse com os pezinhos no chão. A distância entre a euforia e a depressão é bastante curta.

domingo, outubro 27

Também comprei o cd do Hefner que o Submarino (garanto que eles não vão sentir falta do link) tava liquidando por 8,50. Ainda nem escutei direito, mas se musicalmente o disco não empolga muito (exceção a 'Good fruit'), as boas letras compensam.

We love the city because it lets us down
We love the city NOT the suburbs that surround
We love all the dirty things, that lead us to think
That maybe true love could be found
We love the city because its how we live
We love the city cause it never loves us back
We love it all because sometimes, even though they're hard to find
It contains all the virtues we lack


Inspirado naquela vinheta da MTV (se você já viu, ótimo; se não, azar o seu porque não vou explicar), o tema é: bandas de som semelhante e cujas letras ironizam o modo de vida inglês.

Era Pré-Cambriana: Kinks
Era Paleozóica: ?
Era Mesozóica: Pulp
Era Cenozóica: Hefner

Se alguém conseguir lembrar de um grupo que preencha os requisitos para a Era Paleozóica, é só avisar.
Agora já posso substituir o cd antigo, encontrei no sebo a versão do 'Pet Sounds' que tem todas as músicas em mono e estéreo. Paguei 18 reais por um disco que está custando 80 nas lojas; essas pequenas coisas é que fazem a vida valer a pena. Além de ouvir Beach Boys, claro.

I keep looking for a place to fit
Where I can speak my mind
I've been trying hard to find the people
That I won't leave behind


They say I got brains
But they ain't doing me no good
I wish they could
Each time things start to happen again
I think I got something good goin' for myself
But what goes wrong


Sometimes I feel very sad
Sometimes I feel very sad
(Can't find nothin' I can put my heart and soul into)
Sometimes I feel very sad
(Can't find nothin' I can put my heart and soul into)


I guess I just wasn't made for these times

Every time I get the inspiration
To go change things around
No one wants to help me look for places
Where new things might be found


Where can I turn when my fair weather friends cop out
What's it all about
Each time things start to happen again
I think I got something good goin' for myself
But what goes wrong


Sometimes I feel very sad
Sometimes I feel very sad
(Can't find nothin' I can put my heart and soul into)
Sometimes I feel very sad
(Can't find nothin' I can put my heart and soul into)


I guess I just wasn't made for these times
I guess I just wasn't made for these times...

quinta-feira, outubro 24

Na época da Copa do Mundo, andei externando meus instintos belicosos a respeito dos sopradores de corneta, praga que pela rápida propagação mostrou-se pior do que erva daninha. Não houve contemplação, abracei o radicalismo e exigi pena capital. Agora encontrei um novo alvo para a minha bílis. Há alguns dias meu pensamento tem se voltado para o filme Fahrenheit 451 do François Truffaut. Mais especificamente para a guarnição de bombeiros encarregada de incinerar qualquer obra impressa que for encontrada; o governo totalitário acusa os livros de prejudiciais à felicidade do homem. Penso em utilizar o mesmo princípio, só que as vítimas seriam os aparelhos de karaokê. Recentemente um morador do prédio dos fundos foi o anfitrião de um convescote que reuniu seu círculo de amizades. Após se empaturrar com doces e salgados, beber cerveja em copo de geléia de mocotó e vomitar no carpete, a patuléia resolveu se divertir com o karaokê, certamente trazido do Paraguai por algum amigo sacoleiro. A algaravia resultante poderia ser comparada a de um porco sendo esquartejado enquanto molesta sexualmente um teclado de churrascaria. Cumpra-se a lei: aparelhos de karaokê me deixam infeliz, portanto, lança-chamas neles! Em caso de resistência, nos proprietários também!
O tema "eleições" já encheu o raio do saco, ainda bem que a tortura acaba no domingo. Quando fizerem a tal reforma política, favor acabar com essa aporrinhação chamada segundo turno.
Diálogo flagrado, graças a um microfone oculto, entre o George W. Bush e seu vice, Dick Cheney:
GB: The guy who writes this blog is a major league asshole!
DC: Oh yeah, big time!
Bom mesmo é sentar o malho no próprio blog, o resto é perfumaria. Não quero mais saber de escrever aqueles longos textos de outrora. É trabalhoso demais e ninguém vai ler mesmo. Prefiro exercitar as minhas habilidades na arte da autodepreciação.

terça-feira, outubro 22

Que engraçado... dando uma olhada nos posts mais recentes notei algo que poderia ser qualificado como um vício de linguagem. Estou usando e abusando do pronome "vocês", na presunção de que as tolices que escrevo são acolhidas por uma grande massa de leitores. Acho que é válido o autoquestionamento: Vocês quem, cara-pálida? Pois é, manter um blog em atividade por muito tempo acaba propiciando essa espécie de surto. Por falar nisso, vejam (plural pra quê?) só que notícia importantíssima. No último dia 20, completou-se um ano da minha infeliz aparição no mundo dos blogs através do finado Cerebelo. Cheguei até aqui aos trancos e barrancos, é verdade, mas cheguei. Tal acontecimento exige uma comemoração nababesca. Posso até ouvir ao longe o espocar das rolhas das garrafas de champagne. (Discurso! Discurso!) Bom, já que vocês (epa!) pedem com tanta veemência - digo eu, docemente constrangido. Meus amigos, é com grande alegria no coração que... (pausa para que eu seque as lágrimas que insistem em rolar pela face). Como ia dizendo, antes de ser dominado por tão intensa emoção...

quarta-feira, outubro 16

Ah, quer saber do que mais? A partir de agora vou, ocasionalmente, reciclar alguns posts do blog antigo e publicá-los por aqui. Ando sem muitas idéias mesmo. Já começo com um dos meus prediletos:

Surpreenda seus inimigos figadais ao utilizar o Dicionário de Insultos do
Capitão Haddock, compilado por este seu criado:
Anacoluto, anacoreta, anticristo, antropófago, antropóide, antropopiteco, arlequim, autocrata, autodidata, bandoleiro, baqui-buzuque, barbeiro, beberrão, belzebu, bexiguento, boçal, braquicéfalo, bruto, bugre, cachalote, canalha, canibal, carniceiro, carrasco, caruncho, cataplasma, centopéia, chimpanzé, coleóptero, contrabandista, corsário, covarde, crocodilo, diplococus, dromedário, ectoplasma, embusteiro, emplastro, esquizofrênico, filho do diabo, flibusteiro, herético, hipocampo, hipopótamo, iconoclasta, impostor, infame, inseto, invertebrado, judas, lepidóptero, libertino, macaco, macrocéfalo, mameluco, marinheiro de água doce, mazorqueiro, megalômano, mercenário, miserável, moleirão, nefelibata, nematóide, ornitorrinco, pamonha, papua, paranóico, parasita, paspalhão, patagão, patife, pau-d’água, pedaço de analfabeto, pinguço, pirata de carnaval, piromaníaco, polígrafo, poltrão, quadrúpede, ratazana, raquítico, renegado, rizópodo, sagüi, salteador, saltimbanco, sátrapa, selenita, selvagem, traiçoeiro, traidor, troca-tintas, troglodita, vampiro, vegetariano, velhaco, verme, visigodo, zuavo, zulu.

terça-feira, outubro 15

Agora que iniciou-se o horário eleitoral para o segundo turno, cabe a pergunta um tanto cínica: Em que momento a Globo vai mandar às favas toda essa fachada de imparcialidade que tão bem construiu? Certamente não irá se limitar à mensagem subliminar emitida pelo Jornal Nacional na véspera da eleição - José Serra, o patriarca, acariciando a barriga da filha grávida; Lula, o rústico, procurando desesperado por um banheiro público - e que passou despercebida pela maioria da população. Tem que deixar a máscara cair. Afinal, tá todo mundo ansioso para começar aquele tradicional corinho: "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo! O povo não é bobo, abaixo...".
Mais uma fala memorável que poderia ter sido parte do post dedicado ao Humphrey Bogart. Só que a fala em questão lhe foi sussurrada pela Lauren Bacall em Aventura na Martinica, estréia no cinema da, então, jovem modelo:

"You know you don't have to act with me, Steve. You don't have to say anything and you don't have to do anything... not a thing. Oh, maybe just whistle. You know how to whistle, don't you, Steve? You just put your lips together and... blow."

Wow! Não é à toa que os dois juntaram os trapinhos logo após as filmagens.

segunda-feira, outubro 14

Bandleader-composer Ray Conniff dies at 85


Não, ao contrário do que vocês estão pensando eu não sou fã do easy listening consagrado por Ray Conniff e sua orquestra. Coloquei esse link por outro motivo. Mas antes de fazer o devido esclarecimento, permitam-me uma pequena digressão: aquele cabelo chanel usado pelo bom velhinho (não confundir com o Papai Noel) sempre me deixou com a pulga atrás da orelha. Não seria uma tremenda duma peruca? Bom, acho que agora jamais saberei a resposta. Isto posto, vamos ao que interessa: É inevitável, a mais simples menção ao Ray Conniff faz com que eu me lembre da época em que usava calças curtas e passava as férias na casa do meu avô. Qualquer festividade reunindo a família e os amigos servia como desculpa para ele colocar na vitrola os bolachões do famoso maestro americano. Carregarei sempre a recordação daqueles inúmeras ocasiões em que, esparramado no tapete da sala a brincar com bonequinhos Playmobil, eu ouvia as indefectíveis versões de 'Besame mucho' e 'New York, New York' ecoando pela casa. Bons tempos que não voltam mais...

domingo, outubro 13

Oh, God... Toda vez que visito a página da Shoeshine, gravadora do Francis McDonald, é a mesma história: fico doente para escutar os sons que ele está lançando, só que não tenho grana para comprar (ainda mais na fase atual do dólar). O cara é absurdamente prolífico, tá sempre envolvido com alguma banda ou projeto novo, seja com BMX Bandits, Pastels, Teenage Fanclub (toca bateria e é co-autor de 'Planets'), Radio Sweethearts, Frank Blake, Speedboat, Astro Chimp, Nice Man, etc.
Mas então, tava fuçando o site quando me deparei com informações sobre o novo disco de uma de suas descobertas, uma cantora chamada
Laura Cantrell. A moça faz parte desse movimento de ressurgimento da música country, o tão falado alt-country, e percorreu um caminho no mínimo curioso: nascida em Nashville, iniciou-se como artista em Nova York, onde apresenta um programa de rádio dedicado ao estilo, mas acabou contratada por uma gravadora independente da Escócia. Seu disco de estréia, "Not the Tremblin' Kind", foi aclamado como "my favourite record of the last 10 years and possibly my life" pelo veteraníssimo dj inglês John Peel. Após baixar um punhado de mp3 no site oficial e na Amazon, também posso dar meu testemunho (embora pouco valha): adorei, ela é muito talentosa. As canções tem uma certa melancolia, como manda a tradição do gênero, mas não chegam a despertar aquela vontade louca de cortar os pulsos (alguém pensou em Cowboy Junkies?). Façam um favor a vocês mesmos e baixem 'When the roses bloom again' (tem um belo arranjo para bandolim), 'Conqueror's song' e 'Two seconds' na seção de downloads da Amazon. Impossível não se apaixonar pela doce voz de Laura Cantrell.

sábado, outubro 12

Surpresa agradável da semana: encontrar o primeiro disco do Inspiral Carpets, "Life", por míseros 9 reais. Tão cedo não me acontece outra sorte dessas.

sexta-feira, outubro 11

Fala a verdade, este blog anda um saco, né não? Não sei como vocês ainda conseguem acessar essa porcaria, nem eu aguento ler as coisas que escrevo.

quarta-feira, outubro 9

Os 5 melhores filmes de Alfred Hitchcok:
1. Janela indiscreta
2. Psicose
3. Um corpo que cai
4. Pacto sinistro
5. A dama oculta

As 5 melhores atuações de James Stewart:
1. Um corpo que cai
2. A felicidade não se compra
3. O homem que matou o facínora
4. A mulher faz o homem
5. O preço de um homem

Súbito desejo de colocar aqui a obra falada do Humphrey Bogart:

"I don't mind a reasonable amount of trouble."
"People lose teeth talking like that."
"We didn't exactly believe your story, Miss O'Shea, we believed your 200 dollars."
"When you're slapped, you'll take it and like it."
- Sam Spade (O Falcão Maltês)

"My, my, my! Such a lot of guns around town and so few brains."
"Then she tried to sit on my lap while I was standing up."
- Philip Marlowe (À Beira do Abismo)

"Women should come capsule-sized, about four inches tall. That way a guy could put her in his pocket and always know where she was."
- Rip Murdoch (Confissão)

"That slap in the face you took... Well, you hardly blinked an eye. It takes a lot of practice to be able to do that."
- Harry Morgan (Aventura na Martinica)

"When your head says one thing and your whole life says another, your head always loses."
- Frank McCloud (Paixões em Fúria)

"I was born when you kissed me. I died when you left. I lived a few weeks while you loved me."
- Dixon Steele (No Silêncio da Noite)

"Well, I'll say one thing for prison. It's a better class of people."
- Joseph (Não Somos Anjos)

"Paris is for lovers. Maybe that's why I stayed only 35 minutes."
- Linus Larrabee (Sabrina)

"A script has to make sense, and life doesn’t."
- Harry Dawes (A Condessa Descalça)

domingo, outubro 6

Então, no meio da semana resolvi dar uma garimpada nos sebos de cds. Não tem muita explicação, mas aquela rotina de pegar o ônibus (parênteses para revelar uma mania: eu sempre procuro ficar na fileira da direita e no corredor), descer na ensolarada e deserta General Osório e caminhar alguns quarteirões até o destino final, faz com que eu me sinta vivo e feliz. Acho que a expectativa criada pela possibilidade de encontrar um cd bom, bonito e barato libera uma dose extra de endorfina na minha corrente sangüínea. Ao menos serviu para me resgatar do subsolo escuro e lúgubre em que estava jogado, pena que o efeito teve curta duração.
Enquanto me dedicava a escarafunchar a letra D do balcão reservado aos cds de rock, entrou na loja um sujeito que se dizia interessado em realizar uma troca. Enquanto esclarecia algumas dúvidas com a funcionária, o cidadão ia retirando balas da sacola plástica que tinha em mãos. Era daquele tipo de pessoa que interrompe uma frase no meio, enche a boca, começa a mastigar e retoma o diálogo. Ou seja, o tipo de pessoa por quem tenho antipatia instantânea (sou neurastênico mesmo, e daí?!). Quando já me encontrava na letra H, percebi horrorizado que o boca nervosa se encaminhava na minha direção. Mesmo tendo a loja inteira à disposição, ele achou por bem grudar em mim como um gêmeo siamês. A partir daí foi impossível me concentrar na procura de algum tesouro musical perdido. Sua incômoda proximidade me obrigava a ouvir o incessante ruminar das enjoativas balas achocolatadas: crunch, crunch, crunch, nhac, nhac, nhac...
Pensei em escapulir para outro ponto da loja, mas aquele lugar era meu por direito, tinha chegado primeiro. Ele que se mancasse e desse o fora. A fim de deter minha crescente irritação, pus-me a mentalizar um mantra apropriado para o momento: “Não vou estrangular esse fulano. Não vou estrangular esse fulano. (crunch, crunch, nhac, nhac...) Não vou estrangular esse fulano. Não vou estrangular...”. De repente, numa prova de que a fé verdadeiramente remove montanhas, ele decidiu ir mastigar em outra freguesia. Enfim pude escolher os cds sossegadamente; acabei comprando ‘Harvest Moon’ do Neil Young, e ‘Pet Sounds Live’ do Brian Wilson.
Mas meu desafeto ainda aprontaria mais uma. Após mandar para o bucho a confeitaria que carregava na sacola, a formiga atômica não se deu por satisfeita e teve a coragem de atacar as balas que a loja deixa dentro de uma taça à disposição dos fregueses. Juro que quase caí pra trás.

terça-feira, outubro 1

Um bom tempo atrás o Mel Brooks dirigiu e estrelou um filme que foi enorme fracasso de crítica e bilheteria. O que apenas confirmou sua visível decadência, Jovem Frankenstein e Banzé no Oeste pertenciam a tempos distantes. Sua aposentadoria do cinema foi praticamente decretada. Não, nunca me dei ao trabalho de assistir o tal filme, fiz essa introdução toda só para poder citar seu título: Que droga de vida! De fato, é uma droga... e não creio que vá melhorar.